A busca pelo irmão alemão resulta dos dois maiores conflitos de Francisco: sua eterna desvantagem em relação a Domingos e o desprezo afetivo do pai. O encontro de um segundo irmão e a possível entrada dele no seio da família Hollander deslocaria Mimmo da progenitura e daria ao protagonista uma condição menos desfavorecida.
Indique a alternativa que apresenta um fato da trama que NÃO CONFIRMA os sentimentos de rivalidade, inveja ou admiração que Francisco nutria pelo irmão brasileiro, por apresentar informações incorretas.
Ao ter oportunidade de desvirginar Maria Helena, o único amor de toda a sua vida, Francisco protela o ato sexual, espera o irmão chegar e deixa os dois sozinhos para que Domingos satisfaça o desejo de ser o primeiro homem da vida dela.
Francisco sabe que é preterido pelo irmão desde quando nasceu e demonstra a veracidade de sua dedução em diversas passagens da trama, dentre as quais a que revela que o pai, ateu convicto, relegava os livros religiosos e os de referências no quarto do protagonista, e livros importantes foram deixados no quarto de Mimmo, provável razão de Francisco ter se tornado mais compensado pelo destino com atributos do espírito: "Mamãe tratou logo de erguer estantes pelas paredes do sobrado, e ao engravidar decorou o quarto do bebê com livros de linguística e arqueologia, além da mapoteca, dos espanhóis e dos chineses. Para o meu quarto, dois anos mais tarde, reservou os escandinavos, a Bíblia, a Torá, o Corão e metro e meio de dicionários e enciclopédias".
O protagonista demonstra diversas vezes sentir inveja do irmão, que não sabia ler em francês, inglês e alemão como ele, e só tinha interesse por leitura de gibis e revista Playboy, mas mesmo assim era o único filho a ter permissão para entrar no escritório do pai, pois era mais parecido com ele fisicamente, mais "ariano", enquanto Francisco herdou os traços italianos da mãe. A visão de inúmeras conversas entre Sergio e Domingos no espaço interditado ao protagonista amplificava o sentimento de abandono que marcou toda a história de vida de Francisco. Ao descrever o irmão, ele distorce a realidade e faz o seguinte retrato: "(...) meu irmão encanador, sua tez escura, seus olhos amendoados, seu temperamento muçulmano".
Francisco procurou de modo desesperado agradar ao pai, e uma das razões para a busca do irmão alemão era a certeza de que tal encontro traria a Sergio as condições necessárias à composição de seu "grande livro". A necessidade de ser amado faz Ciccio vestir as roupas e passar a dormir no quarto do irmão desaparecido, demonstrar menos interesse em encontrar o irmão preso pelo regime militar que o alemão de existência incerta, e só querer relacionar-se sexualmente com mulheres já desvirginadas por Domingos: "(...) mas eu não estava mais a fim de perder tempo com a Maria Helena, parti logo para cima de outra colega, e outra, e outra, se pudesse lamberia todas as mulheres que meu irmão teve na vida".
Ao levar à redação do jornal um artigo escrito pelo pai para ser publicado, tarefa que Sergio delegou ao filho primogênito, Francisco tenta "sabotar o pai", como disso o acusava Assunta, e inutiliza o artigo deixando-o sob forte chuva enquanto ele jogava futebol despreocupado com a missão que lhe foi confiada pelo irmão.
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