TEXTO IV
Conflito de Gerações
Fernando Bonassi
Um dia me aparece de tatuagem. Borboleta. Lá onde eu
nem sei falar sem dizer sujo. Vi sem querer, espiando
banho. Quando, com quem e como, Deus me livre de
saber. Então ficou ouvindo essa música de batedeira.
5 Chacoalhando a cabeça até dar co’armário e sangue
espirrar longe. Acidente, pensei. Agora não acho. Depois
isso pendurado n’umbigo... Agora o brinco na língua.
Bolinha que o pai deu quando tinha mês. Assim se beija?
E olho roxo, cabelo sujo, ranho. Ferida cavocada é o
10 bonito. Conversar a gente tenta... mas precisa de dois,
não é mesmo?
*cavocada: cavoucada - mexida, cutucada
(BONASSI, Fernando. “Conflito de gerações”. In: 100 Coisas. 1. ed. São Paulo: Editora Angra. 2000)
Segundo o texto acima, é correto afirmar que
o passado é revivido saudosamente e evidenciado pelo uso do pretérito perfeito do indicativo. O autor mostra, dessa forma, que não há mais conflito de gerações.
o foco narrativo é construído na 1ª pessoa do singular, ou seja, pelo ponto de vista do personagem adulto. Isso mostra que o próprio narrador não está disposto a dialogar, pois apresenta apenas sua própria visão sobre os fatos.
há, de acordo com o autor, uma tentativa de diálogo com a nova geração, que não é efetivada, pois, além das diferenças, faz-se necessário que ambas estejam dispostas a conversar.
as transformações comportamentais da nova geração só são evidenciadas pelo uso de tatuagens, de brincos na língua e mudança de estilo musical, tornando-a incompreendida pela geração mais antiga.
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