TEXTO
Depois de maio de 1940, os bons momentos foram poucos e muito espaçados: primeiro veio a guerra, depois, a capitulação, em seguida, a chegada dos alemães, e foi então que começaram os sofrimentos dos judeus. Nossa liberdade foi gravemente restringida com uma série de decretos antissemitas: os judeus deveriam usar uma estrela amarela; os judeus eram proibidos de andar nos bondes; os judeus eram proibidos de andar de carro, mesmo em seus próprios carros; os judeus deveriam fazer suas compras entre três e cinco horas da tarde; os judeus só deveriam frequentar barbearias e salões de beleza de proprietários judeus; os judeus eram proibidos de sair às ruas entre oito da noite e seis da manhã; os judeus eram proibidos de frequentar teatros, cinemas ou qualquer outra forma de diversão; os judeus eram proibidos de ir a piscinas, quadras de tênis, campos de hóquei ou qualquer outro campo esportivo; os judeus eram proibidos de ficar em seus jardins ou nos de amigos depois das oito da noite; os judeus eram proibidos de visitar casas de cristãos; os judeus deveriam frequentar escolas judias etc. Você não podia fazer nem isso nem aquilo, mas a vida continuava.
(O diário de Anne Frank. Trad. Alves Calado. 50. ed. Rio; São Paulo: Record, 2015, p. 18)
Qual das ideias abaixo é a única que está de acordo com o que se apresenta no texto?
Em estilo coloquial, a narradora cria o cenário que envolveu o período subsequente a 1940, com uma força expressiva que deixa viva ao leitor a imagem do cerceamento da liberdade vivido pelos judeus.
O relato faz-se sem a incidência de elementos subjetivos nem marcas que denunciem indícios de opinião, visto tratar-se de uma história assumidamente real.
A repetição do sintagma “os judeus”, em vez de evidenciar um defeito na coesão referencial do texto em análise, serve para reforçar expressivamente a ideia de que um grupo social específico teve a liberdade cerceada no período mencionado.
Percebe-se um distanciamento da narradora em relação aos fatos que conta, decorrendo desse gesto, entre outras estratégias de impessoalização, a referência ao pronome “você” no último período.
A quase inexistência de adjetivos enfatiza a indiferença da narradora diante do relato, que é construído de maneira objetiva, já que não se trata de um texto ficcional, mas de cunho histórico.
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