Texto 9
ÓBITO DO AUTOR
Algum tempo hesitei se devia abrir estas memórias pelo princípio ou pelo fim, isto é, se poria em primeiro lugar o meu nascimento ou a minha morte. Suposto o uso vulgar seja começar pelo nascimento, duas considerações me levaram a adotar diferente método: a primeira é que eu não sou propriamente um autor defunto, mas um defunto autor, para quem a campa foi outro berço; a segunda é que o escrito ficaria assim mais galante e mais novo. Moisés, que também contou a sua morte, não a pôs no intróito, mas no cabo: diferença radical entre este livro e o Pentateuco.
Dito isto, expirei às duas horas da tarde de uma sexta-feira do mês de agosto de 1869, na minha bela chácara de Catumbi. Tinha uns sessenta e quatro anos, rijos e prósperos, era solteiro, possuía cerca de trezentos contos e fui acompanhado ao cemitério por onze amigos. Onze amigos!
ASSIS, Machado de. Memórias Póstumas de Brás Cubas. São Paulo: Ática, 1997. Excertos. p. 17.
Texto 10

Filme Memórias Póstumas (2001). Ator Reginaldo Faria no papel de Brás Cubas Disponível em: http://melancianacabeca.com.br/blog/resenha-memorias-postumas-de-bras-cubas/memorias-postumas-filme/ Acesso em: 20/06/2019.
Machado de Assis destacou-se na literatura brasileira pelo estilo singular na construção de narrativas inovadoras, como a obra Memórias Póstumas de Brás Cubas. Com base na leitura dos Textos 9 e 10 e tendo em vista as características da produção literária machadiana, assinale a alternativa CORRETA.
Conforme o Texto 9, Brás Cubas é o "defunto autor", ou seja, narrador onisciente que conta suas memórias depois de ter falecido. Brás Cubas é um homem pobre, casado com Virgília, o qual resolve se dedicar à tarefa de narrar sua história depois de morto, preocupando-se demasiadamente com o julgamento que os vivos podem fazer dele.
A narração é feita em primeira pessoa, por meio de linguagem carente de ambiguidades e ironias. Como Brás Cubas está contando a sua própria história, assume a posição de um "narrador confiável", pois apresenta os fatos e demais personagens de forma realista e coerente com sua ótica pessoal e subjetiva.
O romance apresenta uma narração linear, obedecendo ao tempo cronológico por meio de um encadeamento racional dos eventos narrados. Trata-se de "obra de finado", já que Brás Cubas é um autor defunto e transcende a vida terrena.
Na obra Memórias Póstumas de Brás Cubas, o narrador conversa, em alguns momentos, com o leitor, criando-se um clima de cumplicidade. No filme, o telespectador assume essa posição de interlocutor. Na adaptação para a linguagem fílmica, o ator Reginaldo Faria, no papel de Brás Cubas, dirige-se ao telespectador, direcionando o olhar para a câmera (Texto 10).
Na cena (Texto 10), o autor defunto (Brás Cubas) assume a posição de narrador onisciente e relata o episódio de seu próprio enterro, como se pode notar, também, no Texto 9. Tanto no romance machadiano em foco quanto no filme, o relato do enterro é feito de forma romântica e idealizada.
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