UEMG
UEMG 2006
Caderno 1
📚 + 1.370 questões UEMG
Comece sua preparação

UEMG 2006

Para responder à questão, leia o texto a seguir.

 

Ler e escrever

O MUNDO
 

Tornar a leitura e a escrita significativas para os jovens é um desafio para professores de português, que precisam romper as barreiras entre as salas de aula e a realidade

 

    Quem nunca teve que ler uma bula de remédio? Onde encontrá-las, em caso de necessidade? (...) A maioria de nós encarou aquele texto em letras miúdas à procura de um esclarecimento sobre dose, efeitos colaterais, contra-indicações ou freqüência com que o produto deve ser tomado.(...) Embora a linguagem em que o texto da bula era escrito não fosse lá muito amigável, os usuários faziam o possível para obter ao menos as informações mais importantes para não matar o paciente envenenado nem deixá-lo sem tratamento.
    Há alguns meses, a agência nacional reguladora da saúde no Brasil, a Anvisa, mandou que as bulas fossem escritas para o público, e não mais para os especialistas. A idéia foi ótima e o usuário, especialmente aquele menos letrado, agradece muito que se mude o público-alvo do texto que ensina a usar os remédios.(...)
    Ler a bula dos remédios é uma ação que, muito provavelmente, só acontece diante da necessidade. Se meu filho pequeno tem febre, corro para ler a bula e entender que dose de antitérmico devo administrar. Se eu tenho dor de cabeça, leio a bula do analgésico para saber como devo tomá-lo. E assim procedem outras pessoas em circunstâncias diversas. Sempre diante da necessidade e, claro, após a consulta ao médico.
    Essa é a “leitura significativa” que funciona como acesso a um conhecimento, mesmo que ele seja tão circunstancial, e preparação para uma ação, mesmo que seja a de tomar um comprimido. Daí em diante, saberei o procedimento de ler bulas e talvez nem precise mais ler se me acontecer novamente a necessidade do mesmo remédio. Outras leituras significativas são o rótulo de um produto que se vai comprar, os preços do bem de consumo, o tíquete do cinema, as placas do ponto de ônibus, o regulamento de um concurso, a notícia de um jornal. Se estou precisando trocar de carro, leio os anúncios classificados; caso queira me divertir no cinema, recorro às sinopses e às resenhas para me ajudarem a escolher o filme, o cinema e as sessões. Caso eu me sinta meio sem perspectivas, posso recorrer aos regulamentos de concurso. Nesses casos, há quem prefira as páginas do horóscopo. Também posso ler para me informar, para aprender a usar uma ferramenta, ligar um aparelho eletrônico, aumentar meu conhecimento sobre algo menos tangível ou mesmo ler para escrever em reação a algo que foi lido. Em muitos casos, posso ler para aprender.
    A leitura significativa acontece diariamente com as pessoas à medida que elas interagem com o mundo e com todas as peças escritas que nos circundam. E estamos tão acostumados a isso que esquecemos de que ler é hoje algo muito trivial, especialmente para as pessoas que moram nas cidades.
    Já outros gêneros de texto não são assim tão fáceis de achar. Os poemas (infelizmente!) não estão nos rótulos de embalagens nem junto aos frascos de remédio. Talvez não fossem lá muito informativos e de grande ajuda para quem está com uma lancinante dor de cabeça. Os romances não cabem nos outdoors e os contos não costumam acompanhar os tíquetes-refeição. Embora todas essas coisas possam se cruzar em instâncias específicas, os gêneros de texto artísticos não são tão funcionais quanto os anteriormente citados, mas também têm seus “códigos” de leitura. São lidos em momentos específicos, por exemplo: quando alguém quer ter prazer, experiência estética, conhecimento, vocabulário, etc. Em alguns casos, é necessário ler para um concurso ou para se divertir. Esta também é a leitura significativa.
    E o que é que a leitura se torna quando entra pelos portões da escola? O que acontece com a leitura significativa quando ela deixa de ser feita a partir de uma necessidade ou de uma motivação mais “real” e passa a ser feita como tarefa pontuada? Como compreender a leitura de uma bula de remédio sem precisar dela? (...) Como ter prazer em ler um poema perto da hora do recreio, quando se sente mais a necessidade de ler o quadro de salgadinhos (e seus preços) na cantina da escola?
    A leitura ganha contornos de “cobaia de laboratório” quando sai de sua significação e cai no ambiente artificial e na situação inventada. No entanto, é extremamente difícil para o professor, especialmente o de português, tornar a sala de aula um ambiente confortável para a leitura significativa. Como trazer as necessidades e as motivações para dentro da sala de aula?
    Quando o assunto é a escrita, a situação se agrava ainda mais. Quando é que sentimos necessidade de escrever? Que textos são necessários à nossa comunicação diária, seja no trabalho ou entre amigos na Internet? Como agir por meio de textos em circunstâncias reais? E como trazer essas circunstâncias para a escola?
    Já que o mundo inteiro não cabe numa sala, quem sabe se o professor de português saísse mais da sala de aula e levasse o aluno às situações em que ler e escrever se tornam muito tangíveis? E se a sala de aula de português não fosse tão inibitória ao encontro, à conversa e ao texto e se tornasse uma “sala ambiente”, à maneira dos professores de biologia? Em lugar de cadeiras individuais de costas umas para as outras estariam as mesas redondas. No lugar do quadro, uma estante de livros de referência sobre língua e muitos outros assuntos. Ou talvez a biblioteca fosse muito adequada à conversão dos alunos-repetidores em alunos-interventores.
    Quem sabe se o professor de português fizesse a necessidade acontecer? Uma sessão de cinema de verdade pode ensejar resenhas de verdade. Um lugar onde publicar as resenhas (e aí é impossível não citar a Internet) pode transformar textos-obrigação em textos formadores de opinião, ao menos para uso daquela comunidade.
    (...) ler e escrever são condutas da vida em sociedade. Não são ratinhos mortos de laboratório prontinhos para ser desmontados e montados, picadinhos e jogados fora. Quem sabe o professor de português reconfigure a sala de aula e transforme a escola numa extensão sem muros e sem cercas elétricas do mundo de textos que a rodeia?
(RIBEIRO, Ana Elisa. Estado de Minas, Belo Horizonte, 10 set.2005.Caderno PENSAR – texto adaptado)

 

Embora a linguagem em que o texto da bula era escrito não fosse lá muito amigável, os usuários faziam o possível para obter ao menos as informações mais importantes (...)”

Indique a alternativa em que o termo em negrito foi adequadamente substituído.

a

confusa

b

enganosa

c

compreensível

d

solidária

Resposta
C
Resolução
Assine a AIO para ter acesso a esta e muitas outras resoluções
Mais de 300.000 questões com resoluções e dados exclusivos disponíveis para alunos AIO.
E mais: nota TRI a todo o momento.
Esta resolução não é pública. Assine a aio para ter acesso a essa resolução e muito mais: Tenha acesso a simulados reduzidos, mais de 200.000 questões, orientação personalizada, video aulas, correção de redações e uma equipe sempre disposta a te ajudar. Tudo isso com acompanhamento TRI em tempo real.
Dicas
expand_more
expand_less
Dicas sobre como resolver essa questão
Erros Comuns
expand_more
expand_less
Alguns erros comuns que estudantes podem cometer ao resolver esta questão
Conceitos chave
Conceitos chave sobre essa questão, que pode te ajudar a resolver questões similares
Estratégia de resolução
Uma estratégia sobre a forma apropriada de se chegar a resposta correta
Resposta Correta C
Dificuldade Difícil • 49% acertaram
📊

Insights de Estudo

📚 Tópico geral Língua Portuguesa

Taxa de Acerto

49% acerto
💡

Material de Estudo

🔓

Conteúdo Exclusivo

Cadastre-se para ver dicas, estratégias e análise completa desta questão

Criar conta grátis
🎓 Vestibular

🎓 AIO + UEMG: Preparação Baseada em Dados

Fizemos o trabalho difícil para você não ter que fazer

📚
1.370
questões UEMG
📊
26%
cobertura de tópicos
🎯
0
alunos prep. para UEMG
Depoimentos

Transforme seus estudos com a AIO!

Estudantes como você estão acelerando suas aprovações usando nossa plataforma de AI + aprendizado ativo

+25 pts
Aumento médio TRI
4x
Simulados mais rápidos
+80 mil
Estudantes
Avatar
Mariana Scheffel
Aprovado
AIO foi fundamental para a evolução do meu número de acertos e notas, tanto no ENEM quanto em outros vestibulares, fornecendo os recursos e as ferramentas necessárias para estudar de forma eficaz e melhorar minhas notas.
Avatar
Jonas de Souza
Aprovado
As correções de redações e as aulas são bem organizadas e é claro os professores são os melhores com a melhor metodologia de ensino, sem dúvidas contribuiu muito para o aumento de 120 pontos na minha média final!
Avatar
Sarah
Aprovado
Neste ano da minha aprovação, a AIO foi a forma perfeita de eu entender meus pontos fortes e fracos, melhorar minha estratégia de prova e, alcançar uma nota excepcional que me permitiu realizar meu objetivo na universidade dos meus sonhos. Só tenho a agradecer à AIO ... pois com certeza não conseguiria sozinha.
A AIO utiliza cookies para garantir uma melhor experiência. Ver política de privacidade