Papo de índio
Veiu uns ômi di saia preta
cheiu di caixinha e pó branco
qui eles disserum qui chamava açucri
Aí eles falarum e nós fechamu a cara
depois eles arrepitirum e nós fechamu o corpo
Aí eles insistirum e nós comemu eles.
CHACAL. “Papo de índio”. In: HOLLANDA, Heloísa Buarque de; PEREIRA
Carlos A. M. (orgs.). Poesia jovem: Anos 70. São Paulo: Nova Cultural, 1982. p. 79.
Considerando a leitura do fragmento do poema “Papo de índio”, de Chacal, analise as afirmativas a seguir:
I. Conforme o eu lírico, o encontro entre o colonizador europeu e os povos indígenas brasileiros ocorreu de modo conflitante, o que se confirma nos três últimos versos do poema.
II. O eu lírico do poema é um índio que, com humor e ironia, apresenta a visão de seu povo, contrariando a ideia de que o indígena foi totalmente submisso às imposições do colonizador.
III. No último verso do poema, existe uma alusão a um dos rituais comuns a algumas tribos indígenas: a antropofagia – hábito que significava a absorção das forças do inimigo morto de forma honrosa, em combate.
IV. O poema sugere que, naquela época, tanto para os colonizadores europeus quanto para os povos indígenas, o açúcar era um alimento muito importante sem o qual a vida estaria ameaçada.
V. A linguagem verbal não padrão, utilizada no poema, é, sem nenhuma dúvida, a forma como os povos indígenas brasileiros se comunicavam entre si, quando da chegada dos colonizadores.
Está CORRETO o que se afirma em