O Navio Negreiro
Senhor Deus dos desgraçados!
Dizei-me vós, Senhor Deus!
Se é loucura... se é verdade
Tanto horror perante os céus?!
Ó mar, por que não apagas
Co'a esponja de tuas vagas
De teu manto este borrão?...
Astros! noites! tempestades!
Rolai das imensidades!
Varrei os mares, tufão!
Quem são estes desgraçados
Que não encontram em vós
Mais que o rir calmo da turba
Que excita a fúria do algoz?
Quem são? Se a estrela se cala,
Se a vaga à pressa resvala
Como um cúmplice fugaz,
Perante a noite confusa...
Dize-o tu, severa Musa,
Musa libérrima, audaz!...
São os filhos do deserto,
Onde a terra esposa a luz.
Onde vive em campo aberto
A tribo dos homens nus...
São os guerreiros ousados
Que com os tigres mosqueados
Combatem na solidão.
Ontem simples, fortes, bravos.
Hoje míseros escravos,
Sem luz, sem ar, sem razão. . .
Trecho retirado do canto V do poema O Navio Negreiro de Castro Alves.
O texto acima é um fragmento de um dos mais belos e tristes poemas da literatura nacional, O Navio Negreiro, de Castro Alves. Ele relata o trajeto de transporte dos escravos africanos para o Brasil, se referindo a uma parte fúnebre da nossa história.
Sobre o fenômeno da escravidão no Brasil, julgue os itens e marque a alternativa verdadeira.
Não é correta a afirmação de que a escravidão existiu em todo o território brasileiro. Em algumas capitanias, não era permitida a utilização de mãoobra-escrava por decisão do capitão donatário. Em alguns engenhos, os africanos podiam lavrar a sua terra e produzir o seu próprio alimento, criando uma relação de respeito com os senhores.
A alimentação do escravo era farta em gorduras e proteínas de que dependiam para trabalhar. Eles também podiam se alimentar das frutas plantadas em menor escala nos engenhos de açúcar.
A escravidão foi um processo violento com submissão dos escravos a castigo físicos, torturas e xingamentos. Porém, essas repressões físicas e mentais não se prolongavam sobre o campo da cultura; de modo geral, os escravos eram livres para praticarem a sua fé e os seus costumes
Uma forma de resistência contra a escravidão se dava com a fuga dos escravos dos engenhos para os chamados quilombos, um fenômeno tipicamente brasileiro. Entre eles, se encontra o Quilombo dos Palmares. Esse quilombo não é somente o mais conhecido de nossa história, mas é também o mais duradouro. Segundo os historiadores, ele durou de cerca de 100 anos.
Além da fuga para os quilombos, os escravos reagiam fisicamente às condições degradantes de suas vidas, fazendo “corpo mole”, quebrando as ferramentas de trabalho, incendiando plantações e agredindo os seus senhores. Outra reação ainda mais extrema contra a escravidão era o suicídio.
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