O Cortiço visto pela perspectiva da Bertoleza
O musical Bertoleza, da Gargarejo Cia Teatral, com adaptação, direção e músicas de Anderson Claudir, subverte a história de um clássico da literatura brasileira, O Cortiço, de Aluísio Azevedo. O drama com generosas pinceladas naturalistas se faz presente, mas agora a partir do olhar da escrava Bertoleza. Ela é a companheira do protagonista original, o português João Romão, o dono do cortiço, da taverna e de uma pedreira. A partir da promessa de formarem um casal, e ela conquistar a alforria, os dois trabalham obstinadamente – ela mais do que ele. Tudo vai bem até que a ambição fala mais alto para o comerciante, e Bertoleza sofre uma traição e tem um fim trágico.
Escrito em 1890, O Cortiço tem a perspectiva masculina, algo que a Gargarejo Cia Teatral queria evitar. Cento e trinta anos depois, Bertoleza surge para mostrar o desfecho dessa história a partir do olhar feminino e de um elenco formado majoritariamente por atores negros. Há, nisso, uma reparação histórica. Mais do que reinventar uma narrativa, a dramaturgista Le Tícia Conde propõe que a escrava protagonista represente também outras tantas vozes femininas sufocadas, marginalizadas ou sequestradas de seu papel histórico. Bertoleza é Dandara, Marielle Franco, Maria Firmina dos Reis (a primeira romancista brasileira), Carolina Maria de Jesus e Antonieta de Barros (defensora da emancipação feminina). [...] Tão logo começa o espetáculo, os artistas rápida e repentinamente se aproximam aos pés do público, deixando claro que a montagem veio para incomodar os racismos que persistem e rondam a sociedade brasileira. [...]
NUNOMURA, Eduardo. Disponível em: https://farofafa.com.br/2020/02/16/o-cortico-visto-pela-perspectiva-da-bertoleza/ Acesso em: 29 maio 2023. Adaptado.
O Texto constitui uma resenha de Bertoleza, um musical encenado a partir da conhecida personagem de O Cortiço. Da leitura da resenha, pode-se concluir CORRETAMENTE que, no musical,
a história e o contexto histórico de criação da obra de Aluísio Azevedo foram respeitados com a incorporação fiel da trajetória da personagem.
a história de Bertoleza passou a ser contada por ela mesma, mas isso não influenciou significativamente a reflexão sobre a personagem e seu destino.
há uma representação simbólica de outras mulheres negras que, na atualidade, ainda são vítimas de opressão, racismo e violência.
Bertoleza tem sua trajetória e seu destino mudados, já que passou a contar as histórias de outras mulheres, que já não sofrem violência ou escravidão.
o diálogo entre o texto de Aluísio Azevedo e a resenha é prejudicado pelo fato de os textos pertencerem a contextos históricos distintos.
Fizemos o trabalho difícil para você não ter que fazer
Estudantes como você estão acelerando suas aprovações usando nossa plataforma de AI + aprendizado ativo