Michel Foucault, em seu livro Arqueologia do saber, propõe a noção de “formação discursiva” e a apresenta do seguinte modo: “No caso em que se puder descrever, entre um certo número de enunciados, [um] sistema de dispersão, e no caso em que entre os objetos, os tipos de enunciados, os conceitos, as escolhas temáticas, se puder definir a regularidade (ordem, correlações, posições e funcionamentos, transformações), diremos, por convenção, que se trata de uma formação discursiva”.
FOUCAULT, Michel. Arqueologia do saber. 8. ed. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2022. p. 47.
Uma implicação da noção de formação discursiva para os discursos que se produzem nos diversos campos do saber é que
os textos produzidos em cada área do saber seguem regras claras em sua formulação e em seus temas, que tornam facilmente identificáveis seus autores e sua origem ideológica.
os enunciados das ciências humanas devem ser necessariamente objetivos, diretos e concisos, de modo a garantir a validade universal dos conhecimentos a que se referem.
os enunciados produzidos em cada campo do saber se organizam em certas cadeias de inferências, de modo a formar sistemas de correlações temáticas e linguísticas.
as formulações textuais da ciência em geral se realizam de acordo com regras universalmente válidas, semelhantes à gramática de uma língua.
os textos científicos devem revelar o que Foucault chama de “dispersão”, ou seja, devem apresentar-se constituídos de tese, antítese e síntese.
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