Leia o trecho:
CAPÍTULO XLIX / UMA VELA AOS SÁBADOS
Estávamos contentes, entramos a falar do futuro. Eu prometia à minha esposa uma vida sossegada e bela, na roça ou fora da cidade. Viríamos aqui uma vez por ano. Se fosse em arrabalde, seria longe, onde, ninguém nos fosse aborrecer. A casa, na minha opinião, não devia ser grande nem pequena, um meio-termo; plantei-lhe flores, escolhi móveis, uma sege e um oratório. Sim, havíamos de ter um oratório bonito, alto, de jacarandá, com a imagem de Nossa Senhora da Conceição. Demorei-me mais nisto que no resto, em parte porque éramos religiosos, em parte para compensar a batina que eu ia deitar às urtigas - mas ainda restava uma parte que atribuo ao intuito secreto e inconsciente de captar a proteção do céu. Havíamos de acender uma vela aos sábados...
(Dom Casmurro, Machado de Assis)
sege: carruagem fora de uso, com duas rodas, um só assento, fechado com cortinas na parte dianteira.
Ao fazer planos para uma vida a dois, Bentinho inclui a ideia de “compensar a batina”. Pode-se entender que Bentinho:
por ser muito religioso, adota um comportamento compatível com suas convicções ao pensar no oratório luxuoso, na proteção divina e na vela aos sábados.
por pertencer a uma família de posses, assume o compromisso com a esposa de uma vida de conforto material, sem se esquecer do lado religioso.
por ser de família burguesa, prevê com a esposa uma vida pacata e confortável, cumprindo regularmente as obrigações religiosas.
por compensação interior, substitui uma postura espiritual (ser padre) por aparatos materiais (oratório, imagem de Nossa Senhora, vela).
por ser muito inseguro, pensa em proporcionar à esposa uma vida tranquila e em apegar-se aos aspectos religiosos da vida.
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