Leia o texto a seguir para responder à questão.
As fontes somáticas dos sonhos
Apesar de haver objeções em contrário, é forçoso admitir que o papel desempenhado na
causação dos sonhos pelas excitações sensoriais objetivas durante o sono permanece indiscutível. E se,
por sua natureza e frequência, esses estímulos parecem insuficientes para explicar todas as imagens
oníricas, somos incentivados a buscar outras fontes de sonhos análogas a eles em seu funcionamento.
[05] Também a influência dos estímulos somáticos orgânicos sobre a formação dos sonhos é quase
universalmente aceita hoje em dia; mas a questão das leis que regem a relação entre eles é respondida
das mais diversas maneiras, e muitas vezes por afirmações obscuras. Com base na teoria da estimulação
somática, a interpretação dos sonhos defronta-se assim com o problema especial de atribuir o conteúdo
de um sonho aos estímulos orgânicos que o causaram; e, quando as normas de interpretação formuladas
[10] por algum pesquisador respeitado não são aceitas, muitas vezes nos vemos diante do fato desconcertante
de que a única coisa que revela a existência do estímulo orgânico é precisamente o conteúdo do próprio
sonho. [...]
Durante toda a discussão da teoria das fontes somáticas dos sonhos que apresentei
anteriormente, abstive-me de usar o argumento baseado em minha análise dos sonhos. Se ele puder ser
[15] confirmado, através de um procedimento não empregado por outros autores em seu material onírico, que
os sonhos possuem um valor próprio como atos psíquicos, o de que os desejos são o motivo de sua
concentração e que as experiências do dia anterior fornecem o material imediato para seu conteúdo,
qualquer outra teoria dos sonhos que despreze um procedimento de pesquisa tão importante e que, por
conseguinte, considere os sonhos como uma reação psíquica inútil e enigmática a estímulos somáticos
[20] estará condenada, sem necessidade maior de críticas específicas. De outra forma – e isso parece
bastante improvável – teria de haver duas espécies bem diferentes de sonhos, um das quais só eu pude
observar, e outra que só pôde ser percebida pelos autores mais antigos. Resta apenas, portanto,
encontrar em minha teoria dos sonhos um lugar para os fatos em que se baseia a atual teoria da
estimulação somática dos sonhos.
[25] Já demos o primeiro passo nessa direção ao propor a tese de que o trabalho do sonho está sujeito
à exigência de combinar em uma unidade os estímulos ao sonhar que estiverem simultaneamente em
ação. Verificamos que, quando duas ou mais experiências capazes de criar uma impressão são deixadas
pelo dia anterior, os desejos delas derivados se combinam num único sonho, e, de modo similar, que a
impressão psiquicamente significativa e as experiências irrelevantes da véspera são reunidas no material
[30] onírico, sempre desde que seja possível estabelecer entre elas representações comunicantes. Assim, o
sonho parece ser uma reação a tudo o que está simultaneamente presente na mente adormecida como
material correntemente ativo. Até onde analisamos o material dos sonhos, vimo-lo como uma coletânea de
resíduos psíquicos e traços mnêmicos, à qual (em virtude da preferência mostrada por material recente e
infantil) fomos levados a atribuir uma qualidade até aqui indefinível de ser “correntemente ativo”. Podemos
[35] por isso antever, sem grandes dificuldades, o que acontecerá se um material nosso, sob a forma de
sensações, for acrescentado durante o sono a essas lembranças correntemente ativas. É também graças
ao fato de serem correntemente ativas que essas excitações sensoriais são importantes para o sonho;
elas se unem ao outro material psíquico correntemente ativo para fornecer aquilo que é usado para a
construção do sonho. Em outras palavras, os estímulos que surgem durante o sono são os conhecidos
[40] “restos diurnos” psíquicos. Essa combinação não precisa ocorrer; como já assinalei, há mais de uma
maneira de reagir a um estímulo somático durante o sono. Quando ela efetivamente ocorre, isso significa
que foi possível encontrar, para servir de conteúdo do sonho, um material de representações de tal ordem
que é capaz de representar ambos os tipos de fontes do sonho: a somática e a psíquica.
A natureza essencial do sonho não é alterada pelo fato de se acrescentar material somático a
[45] suas fontes psíquicas: o sonho continua a ser a realização de um desejo, não importa de que maneira a
expressão dessa realização de desejo seja determinada pelo material correntemente ativo.
FREUD, Sigmund. A interpretação dos sonhos. 20. ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2018. p. 50; 215-216 (Adaptado).
De acordo com o texto, é ideia defendida por Freud:
As experiências do dia anterior em nada influenciam os sonhos, já que estes são fruto apenas da imaginação humana.
Os estímulos externos que influenciam o sonho durante sua ocorrência provam que a teoria do sonho como realização de desejo está equivocada.
Os sonhos independem de estímulo externo, são apenas manifestação de material psíquico da infância e de memórias inacessíveis durante a vigília.
O sonho, seja ele provocado por estímulos orgânicos ou psíquicos, é a realização de um desejo, que se expressa de vários modos durante o sono.
O sonho é a manifestação da libido, impedida de se manifestar de forma clara durante a vigília, seja por motivos de tabu social, seja por questões morais.
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