Leia o soneto, de Luís Vaz de Camões, a seguir.
Quando o sol encoberto vai mostrando
Ao mundo a luz quieta e duvidosa,
Ao longo de ua praia deleitosa ˜
Vou na minha inimiga imaginando.
Aqui a vi, os cabelos concertando;
Ali, co’a mão na face tão, fermosa;
Aqui falando alegre, ali cuidosa;
Agora estando queda, agora andando.
Aqui esteve sentada, ali me viu,
Erguendo aqueles olhos, tão isentos;
Aqui movida um pouco, ali segura.
Aqui se entristeceu, ali se riu.
E, enfim, nestes cansados pensamentos
Passo esta vida vã, que sempre dura.
(CAMÕES, Luis De. Obra completa. Aguilar; 1963. p. 292.)
A partir da leitura desse soneto, assinale a alternativa correta.
Quanto à métrica, os versos são decassílabos, à exceção da última estrofe, o que ilustra o paradoxo entre duração da vida e tamanho menor dos versos.
As rimas ricas aparecem tanto nos quartetos, como em “fermosa” e “cuidosa”, quanto nos tercetos, como em “segura” e “dura”.
A imagem da “luz quieta e duvidosa” exemplifica o uso da linguagem poética, com riqueza dos sentidos, tão frequente na lírica camoniana.
O segundo e o terceiro versos da estrofe inicial já constituem rimas raras, por possuírem terminações sonoras e palavras muito incomuns.
A ideia de “vida vã” do sujeito lírico acentua a indiferença e o tédio pela figura feminina que é repudiada no poema.
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