Leia o poema a seguir para responder à questão.
Pneumotórax
Febre, hemoptise, dispneia e suores noturnos.
A vida inteira que podia ter sido e que não foi.
Tosse, tosse, tosse.
Mandou chamar o médico:
– Diga trinta e três.
– Trinta e três… trinta e três… trinta e três…
– Respire.
………………………………………………………….
– O senhor tem uma escavação no pulmão esquerdo e o pulmão direito infiltrado.
– Então, doutor, não é possível tentar o pneumotórax?
– Não. A única coisa a fazer é tocar um tango argentino.
BANDEIRA, Manuel. Pneumotórax. Poesia completa e prosa. Rio de Janeiro: Aguilar, 1993. p. 206.
Em relação ao poema, verifica-se que
o terceiro verso, por meio de repetições vocabulares, cumpre a função de minimizar um dos sintomas da doença que acomete o sujeito poético.
o décimo verso, em tom de desalento, evidencia a falta de esperança do sujeito poético em relação à cura da enfermidade que o acomete.
o oitavo verso composto por sinais de pontilhado indica a impaciência do médico em relação ao modo como o paciente responde aos seus comandos.
o segundo verso cumpre a finalidade de retomar um tema da poesia pastoril, qual seja a valorização de um modus vivendi bucólico como apanágio de boa saúde.
o último verso traz à tona, de modo irônico, a noção de carpe diem, transmitindo a ideia de que, ao sujeito poético, cabe viver da melhor maneira o pouco tempo de vida que lhe resta.
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