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                                                                  FORMAÇÃO DE PROFESSORES DE LÍNGUA PORTUGUESA: IMPRESSÕES DE VIAGEM 



                                                         Denise Brasil A. Aguiar (Professora da Faculdade de Educação – UFF) (Instituto de Aplicação da UERJ) 



É comum assistirmos, nos diversos meios de comunicação, à divulgação um tanto espetacular da insuficiência do desempenho de nossos estudantes na escrita e na leitura, terrenos reconhecidos como eixos do trabalho escolar, seja na percepção do senso comum, ligado às diversas experiências sociais, seja nas aferições nacionais e internacionais. A par de dificuldades gerais da educação, é preciso discutir as opções teóricas e metodológicas que os professores têm feito (ou permitido que se façam em seu lugar) como elementos que se combinam e realimentam, na construção da flagrante precariedade no cumprimento de objetivos que parecem básicos para o ensino da língua. E principalmente considerando o foco proposto refletir acerca de nossas possibilidades de intervenção ainda nos espaços de formação docente sobre essa realidade. Preliminarmente, é preciso escutar as vozes que atravessam as nossas salas de aula, de estudantes que estão cursando a licenciatura em Letras e que nos dizem sempre algo de sua formação. Do conjunto de suas queixas e convicções saltam tanto uma percepção de despreparo para a descrição mais sistemática da língua, quanto uma dificuldade em articular as conquistas da Linguística à sua própria reflexão e práxis docente. O receio de enfrentar temas de aula que exijam o manejo de conceitos estabelecidos seja pela gramática tradicional, seja pelas propostas de descrição alternativas, é flagrante e parece refletir o sentimento de que a graduação não lhes foi suficiente. Aliado a isso – e diria até que de modo bastante combinado com esse primeiro elemento – a reprodução de um discurso que desvaloriza a Linguística como ciência, em uma comparação indevida com a gramática, esta, sim, tomada como fonte bibliográfica ou normativa e, pior ainda, como conhecimento ?neutro?, desvinculado das relações sociais de poder em que se constituiu. Se, para a sensação de despreparo, concorrem fatores diversos, dentre tais o sucateamento de nossas graduações (seja pela falta generalizada de investimento, seja por uma política de valorização da pós-graduação em detrimento da formação básica na graduação), para a superação do segundo problema, contudo, podem-se apontar, ainda que em forma de sondagem e especulação, alguns encaminhamentos que estariam a nosso alcance mais imediato. São evidentemente possibilidades pontuais, que quase nenhum efeito terão, se não forem combinadas com uma reflexão mais aprofundada sobre o contexto social e cultural em que se inserem. De fato, a recorrência das narrativas dos licenciandos acerca do hiato entre a Língua Portuguesa como domínio específico e a Linguística como domínio mais geral mostra o que parece uma esquizofrenia típica da área. Falas como ?Para o linguista pode tudo, tudo está certo ou é aceitável? sugerem que, embora a inserção da Linguística como disciplina seja antiga nos currículos de Letras, ainda se verifica uma resistência ao (necessário) entrecruzamento desses domínios – do pesquisador da linguagem e do professor de língua. Mais do que isso, pressupõe uma contraposição óbvia, em se considerando o enunciador, futuro professor de Língua Portuguesa: a ideia de que caberia ao professor da língua propriamente a preservação da unidade e correção do idioma. Para essa concepção concorrem vários fatores, talvez mais acentuadamente a flagrante permanência de um ideal de norma culta – contraposta às reflexões sobre a variabilidade –, correlata ao preconceito linguístico de que tanto nos falam autores como Marcos Bagno. Não é preciso dizer o quanto o preconceito é prejudicial à reflexão acadêmica e ao enfrentamento de problemas que se constituem como objeto de ação profissional. Pior ainda: manifestação, na superfície, do preconceito linguístico sugere uma internalização das estruturas sociais engendradas na lógica do capital como irremediáveis, como também naturais, o que esvazia, mais do que a perspectiva do professor de língua materna, o papel do professor em si mesmo. No espaço de formação do Instituto de Aplicação da UERJ – lugar no qual podemos observar bem de perto algumas das demandas, e também das distorções, que acompanham a consciência de futuros professores –, multiplicamse as ocorrências que se constituem efetivamente como amostragens desse prejuízo, seja em forma de diagnósticos equivocados, seja pela insistência em abordagens tradicionais e contraditórias das estruturas da língua. Recentemente, uma licencianda, estagiária, procurou-me perplexa, dizendo que o estudante de 8º ano do ensino fundamental ?trocava o verbo pela conjunção?. Tratava-se da forma ?e? no lugar da acentuada ?é?, identificada na leitura de um texto produzido em sala pelo estudante. Falta de conhecimento das estruturas da língua dominadas por qualquer falante do português (ninguém, em sã consciência, diria ?João é Maria saíram hoje?); falta de percepção de que o sistema ortográfico pertence à língua escrita e que seu domínio é progressivo; falta de conhecimento de que a ortografia é arbitrada em convenções que se alteram com o tempo (veja-se a recente reforma ortográfica) e se inscrevem no conjunto das relações sociais de poder; falta de sensibilidade para os fenômenos da aprendizagem; enfim, despreparo seja para entender fenômenos relativos à linguagem e à sociedade, seja para enfrentar questões mais imediatas do ensino. Não se trata aqui, é claro, de julgar a licencianda, mas de entender o alcance do fenômeno que se manifestou por meio desse exemplo (acompanhado, no cotidiano, de muitos outros semelhantes). A interferência do preconceito, evidenciada no exemplo, é fruto não só da pouca assimilação dos estudos da linguagem, como também da legitimação ?natural? de valores dominantes. Essa atitude não pode ser atribuída a um desvio pessoal; ela representa, na verdade, uma das faces visíveis de uma ação docente historicamente situada, tal como descreve por João Wanderley Geraldi, em Portos de Passagem (1997). Segundo o autor, na configuração moderna do professor como categoria profissional, diferente de outros momentos em que o sábio era também o mestre, o trabalho docente carrega o signo da desatualização: (...) o professor se constituirá socialmente como um sujeito que domina um certo saber, isto é, o produto do trabalho científico, a que tem acesso em sua formação sem se tornar ele próprio um produtor de conhecimentos. Este „eixo? coloca de imediato uma questão a este novo profissional: estar sempre a par das últimas descobertas da ciência em sua especialidade. Ironicamente, isto sempre significa estar desatualizado, pois não convivendo com a pesquisa e com os pesquisadores e tampouco sendo responsável pela produção do que vai ensinar, o professor (e sua escola) está sempre um passo aquém da atualidade. No entanto, sua competência se medirá pelo seu acompanhamento e atualização. Neste sentido, o trabalho do professor emerge como categoria sob o signo da desatualização. (GERALDI, 1997, p.88) Tal processo de esgarçamento dos vínculos entre a produção do saber e sua reprodução nas salas de aula é identificado ainda por Geraldi como uma ?fetichização? do trabalho docente e está diretamente relacionado à construção da modernidade capitalista. Não se trata, portanto, de algo que se possa facilmente superar, em especial em um momento histórico que proclama o fim das utopias e a onipotência do deus- mercado. Entretanto, podemos ensaiar algumas reflexões que, pelo menos, orientem o professor em formação, seja para a consciência acerca do problema, seja para iniciativas que ofereçam alguma forma de resistência, que se direcionem para uma lógica diversa. 



 Revista Querubim – revista eletrônica de trabalhos científicos nas áreas de Letras, Ciências Humanas e Ciências Sociais – Ano 08 – 

setembro/2012 ISSN 1809- 3264 1 FORMAÇÃO DE PROFESSORES DE LÍNGUA PORTUGUESA: IMPRESSÕES DE VIAGEM Denise Brasil 

A. Aguiar (Professora da Faculdade de Educação – UFF) (Instituto de Aplicação da UERJ)

Irandé Antunes em Lutar com Palavras: coesão e coerência nos diz que " Merece cuidado, portanto, a recomendação abusivamente generalizada de não repetir palavras, como merece atenção ainda a observação muito simplista de que a repetição de palavras é indício de pobreza vocabular. Ou seja, a repetição não é aquele ponto negativo, aquela mancha evitável acima de tudo, capaz de deixar os textos em condições de baixa qualidade". Sendo assim, a coesão é aceitável por promover a construção de uma ideia em:
a

A mudança mudará completamente as ações educacionais de agora em diante.

b

A Educação levará o nosso estado a um estado natural de desenvolvimento.

c

Tais questionamentos nos permitiram questionar a validade da avaliação.

d

Essa fase constitui uma fase complicada na formação docente.

e

Ao sair da sala, apague a luz da sala.

Resposta
B
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