Foi na terceira semana de abril que o embaixador do Sacramento tomou posse de sua cadeira no Conselho da Organização dos Estados Americanos. Ao entrar no edifício da União Pan- Americana, foi logo atraído por vozes estrídulas que despertaram o menino que dormia dentro dele. Afastou-se dos assessores que o acompanhavam e precipitou-se para o Pátio Tropical, onde duas araras de cores tão rútilas que pareciam recender ainda a tinta – escarlate, verde, azul, amarelo – gingavam e gritavam, assanhadas, nos seus poleiros. Gabriel Heliodoro aproximou-se duma delas, tentou pegar-lhe o bico, o que excitou ainda mais a colorida criatura, e ficou depois a dizer-lhe coisas numa língua que Titito Villalba jamais ouvira em sua vida. Em vão o secretário tentava mostrar a seu chefe as outras curiosidades do pátio. Sem dar-lhe atenção, o embaixador aproximou-se da outra arara e repetiu a brincadeira.
(Érico Veríssimo, O senhor embaixador.)
No contexto, a cena descrita revela, em relação ao comportamento do embaixador,
uma forma de apartar-se de uma situação que considerava enfadonha.
uma intenção dissimulada que ele tinha de chamar as atenções para si.
um momento de dispersão em que recobrou as imagens de sua infância.
um devaneio que decorreu do cargo em que estava sendo empossado.
um gesto descortês em relação à situação de sua posse no novo cargo.
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