Dias depois da morte de D. Mariquinha, Seu Lula, todo de luto, reuniu os negros no pátio da casa-grande e falou para eles. A voz não era mais aquela voz mansa de outros tempos. Agora Seu Lula era o dono de tudo. O feitor, o negro Deodato, recebera as suas instruções aos gritos. Seu Lula não queria vadiação naquele engenho. Agora, todas astardes, os negros teriam que rezar as ave-marias. Negro não podia mais andar de reza para S. Cosme e S. Damião. Aquilo era feitiçaria.
REGO, José Lins do. Fogo morto. 33. ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 1989. p. 148.
O fragmento pertence à obra “Fogo Morto”, de José Lins do Rego, um dos importantes autores da chamada geração de 30 do Modernismo brasileiro.
A alternativa que contém um pensamento comum ao fragmento e à obra “Tenda dos Milagres”, de Jorge Amado, é a
Enfoque crítico da abolição da escravatura e seus efeitos.
Retratos de uma ordem socioeconômica em transformação.
Defesa da consciência revolucionária como meio de mudança social.
Destaque para a relevância do papel social do negro na história do país.
Desqualificação das crenças dos negros como mecanismo de opressão.
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