A lagartixa
A lagartixa ao sol ardente vive
E fazendo verão o corpo espicha: 
O clarão de teus olhos me dá vida, 
Tu és o sol e eu sou a lagartixa.
Amo-te como o vinho e como o sono, 
Tu és meu copo e amoroso leito...
Mas teu néctar de amor jamais se esgota, 
Travesseiro não há como teu peito.
Posso agora viver: para coroas 
Não preciso no prado colher flores 
Engrinaldo melhor a minha fronte
Nas rosas mais gentis de teus amores.
Vale todo um harém a minha bela, 
Em fazer-me ditoso ela capricha... 
Vivo ao sol de seus olhos namorados, 
Como ao sol de verão a lagartixa.
(AZEVEDO, Álvares de. Poesias completas (ed. crítica de Péricles Eugênio da Silva Ramos/ org. Iumna Maria Simon). Campinas/SP: UNICAMP São Paulo: Imprensa Oficial do Estado, 2002.)
Verifica-se, no poema, a alternância entre a 2a e a 3a pessoas do discurso.
Explique essa alternância na construção do poema.