[...] A densidade demográfica, os apartamentos, a violência urbana, o rádio e mais tarde a TV ilharam cada indivíduo no casulo doméstico. Moro há anos num prédio da Lagoa, tirante os raros e inevitáveis cumprimentos de praxe no elevador ou na garagem, não falo com eles nem eles comigo. Não sou exceção. Nesse lamentável departamento, sou regra.
Daí que não entendo a pressão que volta e meia me fazem para navegar na Internet. Um dos argumentos que me dão é que posso falar com pessoas na Indonésia, saber como vão as colheitas de arroz na China e como estão os melões na Espanha.
Para vencer a incomunicabilidade, acredito que o internauta deva primeiro aprender a se comunicar com o vizinho de porta, de prédio, de rua. Passamos uns pelos outros com o desdém de nosso silêncio, de nossa cara amarrada. Os suicidas se realizam porque, na hora do desespero, falta o vizinho que lhe deseje sinceramente uma boa-noite.
CONY, H. Crônicas para ler na escola. Rio de Janeiro: Objetiva, 2009.
A linguagem expressa contrastes e semelhanças. A metáfora é uma das formas de estabelecer semelhanças por comparações. Qual dos trechos extraídos do texto, indicados abaixo, apresenta uma metáfora?
“não sou exceção”.
“cumprimentos de praxe no elevador”.
“falar com pessoas na Indonésia”.
“falta o vizinho que lhe deseje sinceramente uma boanoite”.
“cada indivíduo no casulo doméstico”.